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Ciclo de entrevistas desportivas

Leonel Pontes

  • Nasce em 1972 no Porto da Cruz. O futebol de rua, o irmão e os cromos trazem-lhe a paixão pelo futebol.
  • Sonhou ser profissional de futebol, mas a entrada na Faculdade de Motricidade Humana fê-lo optar pelos estudos. Mais tarde ligou-se a uma das melhores escolas de formação do mundo.
  • Trabalhou 15 anos no Sporting, passando por todos os escalões da formação até à alta competição.
  • Na equipa principal do Sporting esteve 4 anos, tendo sido vice-campeão em todos eles e vencendo 2 Taças de Portugal e 2 Supertaças.
  • Trabalhou com conceituados jogadores do futebol nacional, quer na formação, quer na alta competição.
  • Foi treinador e encarregado de educação do melhor futebolista português da atualidade – Cristiano Ronaldo.
  • Cinco anos antes de chegar ao futebol de alto rendimento, no Sporting, considerava ser uma utopia chegar lá.
  • José Eduardo Bettencourt, presidente do Sporting, convidou-o a orientar a equipa, após a saída de Paulo Bento.
  • Assistiu de perto, junto ao relvado, no banco de Portugal, à memorável noite que Cristiano Ronaldo marcou 3 golos à Suécia e qualificou a seleção portuguesa para o Mundial de 2014.
  • Carlos Pereira, presidente do Marítimo, confessou que, depois de uma palestra a que assistiu fascinado, contratou-o para treinador.
Entrevista realizada por: Bruno Gouveia

Nasceu a 9 de julho de 1972 na freguesia do Porto da Cruz, concelho de Machico, na Região Autónoma da Madeira.

Leonel Pontes iniciou-se no futebol através das práticas na rua e o último local onde trabalhou em Portugal, na sua primeira experiência como treinador principal, foi na sua ilha natal, no CS Marítimo. Anteriormente, esteve década e meia ao serviço do Sporting, desde a formação até ao futebol profissional, onde esteve quatro anos. Igual tempo passou-o na seleção nacional como treinador-adjunto de Paulo Bento, tendo saído após o Mundial do Brasil.

Nesta segunda época como treinador principal abraçou um projeto grego, o Panetolikos FC.

Como surge o futebol na sua vida?

Surge no futebol de rua, como com muitas crianças. O meu irmão jogava futebol. Os amigos do meu irmão jogavam futebol…

…no porto da Cruz?

Sim, no Porto da Cruz. Jogávamos futebol na estrada e na escola, onde tínhamos um campinho pequenino.

Aos 8 anos comecei a jogar na equipa do Porto da Cruz e foi, no fundo, onde tudo se iniciou.

A nossa vida era escola e futebol. Era no recreio, nas estradas e depois é que surge o campo de futebol de 11.

No campo por detrás da praia?

Sim. Ainda assisti à inauguração do campo com um jogo Porto da Cruz – CS Marítimo, em que o fiscal de linha partiu a perna, devido a um buraco que existia ao lado da linha lateral.

E o futebol porquê? Não existia outra alternativa?

Repare, isto é como tudo na vida: muitas vezes não se explica. Tem a ver com o contexto em que estamos inseridos. Os mais velhos jogam futebol e nós seguimos os mais velhos.

Vi que o meu irmão tinha uma paixão louca pelo futebol e andava sempre com as cadernetas de cromos. Eu era miúdo e ia vivendo isso. Ele saia aos domingos para ir jogar e durante a semana ia treinar. Eu fui vivendo isto junto da família e comecei a viver isto junto dos seus amigos. Sempre houve a febre das cadernetas de cromos de jogadores de futebol do SL Benfica, FC Porto e Sporting CP, do CS Marítimo, CF União e CD Nacional e isso foi-me sendo incutido ao longo dos tempos. Por isso, acabamos por seguir uma modalidade que tem a ver com o contexto onde vivemos.

Quem sabe se fosse uma freguesia mais ligada ao atletismo, ou ao ciclismo, e poderia ter outra variante?

Aquilo era uma localidade onde só se jogava futebol.

E após o Porto da Cruz?

No Porto da Cruz joguei até aos 13 anos. Estive nas escolinhas e infantis.

Quando fui estudar para Machico joguei no Desportivo de Machico como iniciado e fomos campeões da Madeira. O treinador era Belarmino Rodrigues. Foi a única vez que Machico foi campeão da Madeira e isso foi uma experiência muito boa. Depois voltei ao Porto da Cruz, para os juvenis, onde estive dois anos.

No final fui para os juniores do União da Madeira, onde estive outros dois anos.

Treino com os seniores e faço o Campeonato de Reservas como júnior, quer de primeiro, quer de segundo ano. Foi uma experiência muito boa.

Muitas vezes treinava à quinta com os seniores que estavam na 1ª Liga, orientados por Rui Mâncio e Nuno Jardim.

Do União da Madeira segue por onde?

Estive um ano no Choupana FC, por empréstimo do União da Madeira.

E após o Choupana?

Isso coincide com a continuação dos estudos. Entro na faculdade e vou para Lisboa estudar e, simultaneamente, jogar.

Em que clubes?

Quando cheguei a Lisboa, e no início do primeiro ano, joguei na equipa da universidade. A meio da época fui jogar para o Oeiras, pois tinha um colega que era o treinador e convidou-me.

Na época seguinte estive no Carcavelos e jogava, também, na seleção da FMH (Faculdade de Motricidade Humana).

No terceiro ano em Lisboa fui para o Atlético da Tapadinha. Nessa altura lesiono-me e fui operado. Isso limitou-me, de certa forma, o continuar a jogar futebol.

A prática do futebol termina aí?

Sim.

Mas as ligações ao futebol continuam?

Exatamente. No final desse ano, ou seja, no quarto ano de faculdade, fui convidado para orientar a equipa de futebol da universidade e subimos de divisão.

Fomos também a um torneio à Holanda, que vencemos. É um torneio a nível universitário e foi outra experiência muito boa, desse ponto de vista.

Digamos que foi a partir daí que comecei a minha carreira de treinador.

Voltando atrás no tempo, aos treinos no União da Madeira, presumo que terá existido o sonho de ser profissional de futebol?

Sim, nessa altura tinha esperanças de ser profissional de futebol. Só que também me comecei a aperceber, e estávamos em finais dos anos 80, que a Madeira não era a mesma coisa que na atualidade. O contacto com o continente era muito menor. A informação passava de menor forma e eu sentia que os jogadores novos que iam para as equipas grandes da Madeira eram emprestados a clubes do distrital e da III Divisão. Muitas vezes com ordenados muito precários. E eu estava com muito receio disso poder-me acontecer.

Apesar de tão novo, não se iludiu que a vida de profissional de futebol.

Claro que não.

Depois da época no Choupana estava previsto eu fazer a pré-temporada no União. Só que, entretanto, entrei na FMH e, com isso, a minha decisão foi clara: eu queria ir para o continente e foi o que fiz.

Não era suficientemente bom para seguir uma carreira de jogador de uma forma sustentada e considerei que o caminho da universidade poderia ser o melhor de forma a sair da Madeira e procurar outras realidades, outros contextos.

A entrada na FMH fê-lo acordar para uma nova realidade, mas também, logo à partida, o sonho do profissional de futebol foi cortado?

Sim. Mas à medida que fui estudando e jogando e, depois, iniciei o processo de treino, fiquei sempre convencido que deveria ter dado mais continuidade ao futebol. Porque, realmente, é uma modalidade apaixonante e eu gostava de ter jogado até não poder mais. E a carreira de treinador viria depois.

Só que às vezes, entre aquilo que é a nossa vontade e aquilo que é o destino, nem sempre ambas se intersetam.

Um conselho que eu dou a muitos jogadores de futebol é que joguem até não poderem mais, porque a melhor vida do mundo é ser jogador de futebol.

Acredita nisso?

Tenho essa máxima.

Existe muita pressão na carreira de treinador ou, também, na generalidade, sobre qualquer agente desportivo ligado ao futebol de alto rendimento?

O alto rendimento tem sempre uma pressão associada, que é uma pressão externa e depende de como os agentes desportivos lidam com ela.

A mesma pressão sobre indivíduos diferentes pode ter um efeito diferente. O importante é saber doseá-la e saber viver com ela todos os dias.

Mas que ela existe, existe.

Existe a pressão do resultado. Existe a pressão da dinâmica do trabalho diário. Existe a pressão do treino. Existe a pressão associada a questões que tantas vezes colocamos a nós próprios, que são: será que o efeito do treino está a ser aquilo que queremos? Será que aquilo que está a acontecer no jogo tem a ver com aquilo que treinamos?

A pressão é, também, um fator que ajuda a melhorar.

Mesmo quando se ganha, existe uma pressão associada. Porque ganhamos a responsabilidade aumenta e para o jogo seguinte há que ganhar novamente.

Em conversa, há pouco tempo, foi-me referido que agentes desportivos de outras modalidades parecem estar mais despertos para a importância das componentes mentais no equilíbrio das competências dos treinadores para atuar junto dos jogadores. Sendo do futebol, que opinião tem sobre isso?

Eu trabalhei com um psicólogo, que me acompanhou durante alguns meses. Ou seja, acho que o treinador, muitas vezes, tem de ser orientado no sentido de saber aquilo que é o seu caminho. Eu posso saber o meu caminho, mas também me posso dispersar dele.

O psicólogo ajuda-nos a focalizar-nos naquilo que é o essencial, no que é o mais importante, pertinente e prioritário. Ajuda-nos, no fundo, a tomar melhores decisões e a dar passos mais seguros durante uma época desportiva, ou mesmo durante uma carreira desportiva.

Por isso eu acho que existe um papel determinante a esse nível, pois não é só os jogadores que necessitam de orientação. Os treinadores também precisam, porque são tantos fatores que eles têm de controlar e dominar e não podemos pensar que um treinador é um super-homem. Um treinador é um ser humano com muitas coisas para gerir e é essa organização de ideias que o psicólogo nos poderá dar, no sentido de tomarmos as melhores decisões.

Esse trabalho que fez com um psicólogo foi a título individual ou ele estava inserido na sua equipa de trabalho do clube que trabalhava?

Não, não. Foi a título individual.

Achou, portanto, que seria importante?

Uma ferramenta importante, sim.

A notoriedade que tem transtorna ou incomoda a sua vida privada?

Tenho uma notoriedade “qb” (quanto baste). A este nível não me incomoda. Eventualmente incomodaria se fosse a um nível mais absorvente. Eu senti isso muito mais na Madeira que no continente, mas giro-a bem. Quer nos momentos bons, quer nos momentos maus.

Pelo facto de ser madeirense ou por ser a primeira experiência como treinador principal?

Primeiro porque muitas das pessoas já me conhecem. Outros passaram a conhecer-me, porque era um madeirense que estava na seleção nacional e já tinha estado no Sporting. Por outro lado viam-me quase todos os dias na comunicação social, e, naturalmente, as pessoas associam a imagem ao clube e reconheciam-me na rua.

A faculdade é importante para o treino ao mais alto nível ou os cursos de treinador que foi fazendo trouxeram-lhe conhecimentos mais importantes? Alguma é mais importante ou uma complementa a outra?

Todas elas são importantes. Não só a formação geral adquirida na faculdade, como a formação específica dos cursos de treinadores.

Mas o mais importante é a experiência prática.

Quando digo experiência prática refiro-me a estar no terreno, a experimentar e criar o exercício. É pensar no treino, a começar nos métodos. É pensar na forma como a equipa joga. É perceber que características os jogadores têm para a forma como se quer jogar. É perceber o modelo de jogo que se quer implementar. É perceber a dinâmica da equipa técnica. É perceber a dinâmica da equipa de jogadores.

Muito disto só se consegue trabalhando e estando lá. Por mais estudos que se tenha, o mais importante é estar a mexer no assunto, todos os dias e a toda a hora.

A teoria não é tudo?

Não. Estar no terreno é que nos ajuda, de certa forma, a evoluir do ponto de vista profissional e ajuda-nos a criar referências importantíssimas para tomarmos melhores decisões no futuro.

Há uns anos atrás, quando obteve a melhor nota no curso de treinadores UEFA Pro, a comunicação social fez eco disso, até porque superou personalidades reconhecidas do mundo do futebol…

… efetivamente tive a melhor nota desse curso onde estavam presentes Paulo Sousa, Rui Barros, Rui Vitória, Pedro Martins, o meu colega Paulo Bento, entre tantos outros. Mas isso é uma informação irrelevante.

Nas pesquisas que realizei, sobre a sua vida desportiva, li que um dos seus “dramas”, quando iniciou o seu percurso no Sporting, era saber que exercícios e conteúdos deveria ministrar aos atletas nos treinos e que métodos introduzir. Estou certo?

No início senti essa dificuldade.

A primeira questão é: quando se entra num determinado contexto, tem que se o conhecer.

Uma coisa é conhecer o futebol e outra coisa é conhecer as especificidades daquele futebol.

Quando entrei no futebol do Sporting, foi no futebol dos infantis. Qual é o futebol dos infantis? Que futebol é que os infantis jogam? Que características têm os jogadores com 11 anos? O que é que eles têm de desenvolver? O que é que eles já dominam? O que é que têm de dominar? O que é um jogador do Sporting de 11 anos? Qual a diferença entre um jogador do Sporting e um jogador de outro clube de menor dimensão? São as respostas para tudo isto, que não vêm nos livros e que são importantes conhecer.

Então, como resolver essas questões?

Temos de estar lá. Temos de ver e perceber. E eu senti isso.

Aliás, tenho uma experiência muito engraçada aquando do primeiro treino que estive presente em que não me equipei e assisti ao treino da bancada.

Fiquei encantado com a qualidade dos miúdos que estavam a treinar.

No final do treino, em conversa com o treinador, o brasileiro Osvaldo Silva, disse-lhe que naquele grupo haviam quatro ou cinco jogadores que eram muito bons. Ele brincou comigo dizendo-me “você é bobo? Ainda não viu os nossos!”

No treino do dia seguinte lá estavam os miúdos que já eram do Sporting.

Eu não tinha percebido que, aquele grupo da véspera, eram jogadores à experiência. Depois, comparando, concluí que nenhum dos jovens à experiência que tinha visto e ficado maravilhado, cabia na equipa dos que já estavam no clube.

Compreende? Eu não tinha referências do que é que era um bom jogador de 11 anos.

Isso acentuou algum sentimento de insegurança, porque estaria a entrar num clube com uma escola de formação de futebolistas ao nível das melhores do mundo?

Não é uma questão de insegurança, mas sim de perceber o que é que está à nossa frente.

Por exemplo: quem é o Quaresma? O que é o Quaresma? Pois na altura ele era infantil.

Que características possui? Que posição joga? Será que essas características se adaptam à posição que joga? Que contributo é que ele pode dar à equipa?

Tudo isto aprende-se com o tempo. É por isso que se diz que o “olhómetro”, ou a observação de jogadores, também se treina.

Claro que eu cheguei muito novo, e ainda num processo de formação académica, a um ambiente altamente profissionalizado. Num contexto muito específico que era formação de jogadores para a alta competição e isso requer um conjunto de regras, atributos e competências, que eu ainda não as tinha. Estava ali, quase, como um treinador estagiário.

Eu teria de desenvolver um conjunto de competências e, o Sporting, no final da época decidiria se me manteria ou ia embora.

Considera-se um privilegiado?

Sim, um privilegiado. Não tenho dúvidas. Também tive sorte e trabalhei por ela.

Acha que as escolas de futebol dos clubes estão hoje mais preocupadas com a formação escolar dos jovens?

É sempre uma preocupação que não é prioritária. Mas é uma preocupação constante, porque interessa aos clubes dar formação aos atletas. Os clubes sabem que quanto melhor a formação de um jovem, mais capacidades ele terá para interpretar aquilo que é o futebol moderno.

Os clubes também têm uma missão junto dos jovens jogadores, que é proporcionar-lhes um conjunto de experiências que lhes permitam ter uma opção de vida além do futebol.

Os clubes grandes sabem que dos 100 ou 200 jovens que iniciam o processo de formação desportiva irão sobrar apenas uns 10 ou 15 no escalão de juniores. E desses, metade vão ser profissionais e a outra metade provavelmente desistirá. Da metade profissional, um, dois ou três podem chegar à equipa principal e os restantes irem rodar para outros clubes.

Tudo isto significa que o clube tem essa responsabilidade social também. Não só formar jogadores para a equipa principal, numa perspetiva de carreira de profissional de futebol, mas também dar uma perspetiva de carreira, a outro nível, para os que não conseguem atingir o profissionalismo.

Os clubes preocupam-se em ministrar aos miúdos, nomeadamente aos que se encontram no final da adolescência e a um passo do profissionalismo, conteúdos teóricos adequados à melhor integração na carreira de futebolista, como línguas estrangeiras, informática, gestão e planeamento da carreira?

Os grandes clubes têm essa preocupação. No entanto, ainda não conseguem chegar, atualmente, a esse nível.

A preparação que acontece nos clubes é mais do ponto de vista prático, no campo, do que do ponto de vista teórico. Mas é igualmente importante.

Eu sei de jogadores que iniciam uma carreira profissional e não sabem abrir uma conta num banco. Porque vivem nas academias, quase exclusivamente para o futebol, e acabam por não ter uma vida social como um jovem normal

Alguns jovens começam a ganhar muito cedo, tal como muito cedo também acontece terem um mediatismo muito grande. E para se protegerem fecham-se nas academias ou em casa. Deste modo acabam perdendo um conjunto de competências que um cidadão normal vai adquirindo desde muito cedo.

Eu penso que os clubes não chegam a esse nível de prepará-los, do ponto de vista da comunicação, da gestão de carreira ou de um conjunto de competências e ferramentas que são necessárias a uma vida normal.

Claro que os jogadores tornavam-se mais independentes. O que acontece é que eles ficam tão dependentes de uma figura, que é o agente desportivo, que acabam por não fazer nada sem a sua ajuda.

Pouco autónomos, por vezes?

Acabam por ter muito pouca autonomia.

Eu acho que isso pode ser um passo que os clubes podem dar, na perspetiva de criar condições aos futuros profissionais para uma melhor integração que não no futebol, porque aí eles estão bem integrados, mas sim na sociedade.

Isso levanta outra questão: muitos jovens, e nomeadamente em clubes como o Sporting, que conheceu bem, provêm de toda a geografia do país. Isso significa que eles são retirados das suas famílias e do seu meio ambiente. Eles perdem, pelo menos momentaneamente, referências que são fundamentais e que equilibram o seu crescimento. Como é que acontece o acompanhamento desses jovens, de modo a que mantenham os seus objetivos desportivos?

A maior parte dos jovens que vão para os grandes clubes, normalmente, vão com uns 15 anos.

Atualmente, a maior parte dos pais já tem essa consciência e não os deixa sair tão cedo. Só no salto pubertário, ou um bocadinho mais acima, é que isso vai acontecendo agora.

Claro que eles perdem um pouco daquilo que é o contexto familiar e o contexto dos amigos de infância. Mas também vão ganhar outros atributos: novas experiências, novos amigos, novos colegas, novos contextos. E o futebol tem um papel tão importante na vida deles que eles acabam por se adaptar a uma nova realidade.

Este novo contexto de futebol, contexto de treino, de competição, da exigência que o clube coloca, faz com que eles acabem por seguir aquele caminho.

Quando não têm capacidade, do ponto de vista mental, para aguentar a pressão, o que muitas vezes acontece, porque os treinadores são exigentes, a competição é exigente, os são treinos diários e constantes, há desgaste escolar e profissional, o insucesso desportivo associado a eles estarem nos clubes e não jogarem, têm períodos de ansiedade e baixa autoestima a que, normalmente, se associa uma baixa autoconfiança. Muitas vezes estes jogadores acabam por desistir e voltar para casa. Ou acabam sendo dispensados porque o rendimento desportivo não foi significativo.

Mas a maior parte deles, porque toca numa coisa que gostam, e não é algo que lhes é imposto pelos pais e que é obrigatório, estão lá por prazer. Esta opção pessoal desenvolve no seu comportamento uma grande motivação que supera a dificuldade de estar fora de casa.

E quando estão na fase em que transitam para a profissionalização, em que, provavelmente, já deixaram a escola e têm muito tempo livre não sentem dificuldade em ocupá-lo?

Sim. Isso, às vezes, é um primeiro momento chave. Enquanto estavam num processo de formação desportiva, pré-profissionalização portanto, estão a estudar, a competir e a treinar.

Realmente, de repente passam para o futebol profissional e há mais um decréscimo em termos de ocupação.

A metodologia da formação é diferente do profissional.

Vou falar do Sporting, que é o caso que eu conheço. Eles tinham aulas, tinham treino de ginásio e treino de campo. E tinham jogos aos fins de semana. Ou seja, passavam a semana com uma ocupação brutal. Era de manhã à noite.

A partir do momento que são profissionais, o contexto muda todo. Primeiro, a maior parte dos profissionais não faz musculação. Não tem um programa contínuo de musculação ao longo do tempo. Depois, pelo número de competições que o Sporting tem, treinam menos vezes, pelo que têm manhãs ou tardes, muitas vezes livres. E esses jovens jogadores acabam por não desenvolver outro tipo de competências porque vão seguir aquele ritmo normal do profissional de futebol, depois de ter tido uma exigência muito grande.

Há quem defenda que o futsal é um elemento importante na formação do futebol de 11. Tem essa opinião?

Nunca li nada sobre isso, mas acredito que as qualidades técnicas de relação com a bola que se conseguem adquirir no futebol de 5 podem ser muito importantes, depois, para o futebol de 11.

Se nós repararmos, um jovem que começa com 10/12 anos no futebol de 5 e um com a mesma idade no futebol de 11, o do futsal toca muito mais vezes na bola.

Tem mais contacto…

Está muito mais em contacto com a bola. Esse facto irá melhorar uma competência fundamental que é a competência técnica e que pode ser determinante se, no futuro, mudar de modalidade.

Eventualmente o seu campo de visão poderá ser mais reduzido, pois jogou sempre em espaços mais pequenos. Mas há uma coisa que não tenho dúvidas que terá: a relação com a bola será sempre muito boa.

Esteve em estágio no Manchester United. Quão importante foi essa experiência?

O Manchester United foi uma experiência marcante.

Ela aparece num momento em que o Manchester faz um protocolo de cooperação com o Sporting, na altura que o Ronaldo sai da Academia e vai para Manchester.

Eu fui escolhido pela administração para fazer um estágio no clube inglês, onde estive 12 dias.

Isso permitiu-me perceber como é que a formação do Manchester United funcionava. Como é que faziam a ligação entre a formação e o futebol profissional. Como é que faziam a ligação entre os centros de treino e a academia do Manchester, incluindo todos os jovens que estavam na academia.

Grandes diferenças com Portugal?

Sim. Haviam sempre treinos até aos 14 anos. Dos 14 aos 16 anos existiam os centros de excelência. E dos 16 para cima eram os profissionais.

Não há competição?

Eles só tinham competição oficial a partir dos 16 anos. Até lá eram só jogos-treino.

Foram dias proveitosos?

Muito proveitosos.

Percebi como é que funcionava o recrutamento. Como é que funcionava a dinâmica estrutural de organização de todos os escalões, os treinadores que acompanhavam e como é que acompanhavam. Que tipo de treino é que faziam e qual o seu quantitativo e que tipo de atividades de desenvolvimento desportivo e pessoal eram feitas na academia do Manchester.

Para tudo isto eu elaborei relatórios, tirei fotografias e falei com toda a gente. Até com o administrador falei. Portanto, foi uma aprendizagem fantástica, que começou nas escolinhas e infantis e acabou no futebol profissional.

Esteve com a equipa principal?

Tive o privilégio de privar com Ferguson e com os seus adjuntos. No fundo, com toda a gente daquela estrutura.

Portanto, essa foi uma experiência fantástica: foram 12 dias sem parar entre treinos e jogos e atividades.

Acompanhei sempre, do princípio ao fim, com relatórios e com imagens. Desde a forma como os pais se ligavam ao treino e à forma como colaboravam.

Observei, in loco, o protocolo que o Manchester tinha com famílias de apoio.

Famílias de apoio?

Ou seja, enquanto que em Portugal os miúdos vêm para um clube grande e ficam na academia, em Manchester não existe dormitório na academia. Os atletas são recrutados e colocados em famílias, que os acolhem. São famílias que se inscrevem num programa, em que eles tratam os atletas como se fossem seus filhos.

Isso envolve riscos. Presumo que o clube tem preocupações em conhecer os ambientes das famílias que se candidatam?

Os pretendentes têm de preencher um conjunto de requisitos que lhes permitem ser candidatos a receber um atleta. Não é qualquer família que recebe atletas.

Eles têm esse programa muito bem coordenado e funciona muito bem.

São realidades completamente distintas da nossa.

Isso é, provavelmente, a tal tentativa que abordámos há pouco: de colmatar a falta a falta da família e dar ao jovem…

Sim, dar um contexto familiar à sua vida.

A passagem para a equipa de futebol principal do Sporting foi uma surpresa?

Na altura deixou de ser surpresa, nomeadamente quando passei a trabalhar mais próximo da equipa profissional.

Enquanto que nos anos 90, inícios dos anos 2000, achava que era uma coisa utópica ir para o futebol profissional, porque ele estava lá em cima, no topo da hierarquia. Considerava que havia uma barreira muito grande, em parte porque, também, tinha cimentado a ideia de que os treinadores que iam para lá eram estrangeiros. Muitos dos jogadores que chegavam ao clube nada tinham a ver com a formação. Por isso, chegar ao topo dessa hierarquia era utópico.

Mas à medida que vamos progredindo nos escalões etários, vamo-nos apercebendo que estamos muito perto. Embora eu nunca tenha pensado que isso podia acontecer tão cedo.

Até que o Paulo Bento, que tinha algum estatuto, pois tinha sido jogador de futebol, me convidou para o acompanhar nesse trajeto e foi o começo de alguma coisa.

Foram quantos anos?

Foram 4 anos. Entrámos a 21 de outubro de 2005 e saímos em novembro de 2009.

Mas aguentou mais algum tempo, como treinador interino?

Fiquei mais duas semanas, num período de ligação. Ainda orientei o jogo Rio Ave-Sporting.

Quais os troféus vencidos nesses 4 anos?

Ganhámos nesse período duas Taças de Portugal e duas Supertaças.

E as classificações na Liga profissional e competições europeias?

Ficamos quatro anos consecutivos em segundo lugar na Liga portuguesa.

Participamos na Liga dos Campeões por três vezes e passamos aos 1/8 de final uma das vezes.

Na nossa participação na Liga Europa chegámos a ir a uma meia-final.

Considera que foram anos valiosos?

Foram quatro anos muito produtivos. Em dois deles, 2005/2006 e 206/2007, estivemos muito próximos do título de campeões nacionais. Aliás, num dos anos, no último jogo, éramos campeões e depois deixámos de o ser em função dos resultados de outras equipas. Ficámos quatro anos sempre à frente do Benfica com o Porto a ser campeão.

Entretanto, chega a seleção…

Saímos do Sporting em novembro e aguardávamos um novo projeto. Entrámos ao serviço da seleção em outubro de 2010.

A pressão que se sente a nível de seleção é inferior à de clube, ou é muito relativo?

A pressão tem a ver com o ter de se qualificar e fazer uma boa figura na qualificação e nos campeonatos do Mundo ou da Europa.

Quando se está nestas competições a pressão é gigante, porque se sente que se tem um país atrás. E tudo é elevado ao máximo.

Até a própria crítica é de extremos. Se ganharmos temos o apoio crescente do povo. Se perdermos temos uma crítica feroz, porque se está a representar o país. E tudo tem de ser muito bem equacionado, muito bem feito e com muito rigor.

Agora, não se tem uma pressão constante, diária, como na vida de clube.

Quais as maiores alegrias na seleção? Provavelmente, aquele jogo na Suécia, que é estrondoso?

Tivemos tantas.

Esse jogo é estrondoso porque qualificou-nos para o Campeonato do Mundo, e pela forma como aconteceu.

Mas, por exemplo, ganhar o apuramento com a Bósnia foi memorável. Fomos empatar à Bósnia e ganhamos no estádio da Luz por 5-3.

Ganhar o primeiro jogo por 3-1, quando nós entramos, contra a Dinamarca.

Também temos um jogo particular, extraordinário, contra Espanha em que vencemos por 4-0.

A Espanha ainda campeã do Mundo…

Sim.

Temos ainda, no Campeonato da Europa, a vitória contra a Holanda em que estávamos a perder por 1-0 e demos a volta para 2-1.

Recordo a vitória sobre a Dinamarca que nos permite a qualificação para os 1/4 final. Esses são momentos, do ponto de vista emocional, muito fortes.

Mas, realmente, esses jogos com a Suécia, em que o Ronaldo faz quatro golos, um cá e três lá, e nos apura para o Campeonato do Mundo, depois de um ou dois percalços pelo meio, foram, naturalmente, e nomeadamente o último, um jogo emocionalmente brutal

Imagino. Sobre esse jogo já se passou um ano alguns meses e eu, como adepto, revi recentemente as imagens acompanhadas pelo relato fabuloso do Nuno Matos da RDP, que você já deve ter ouvido…

Oh! Já ouvi tanta vez!

Aquilo é…

É memorável. Emocionante.

Eu acredito que esse tenha sido o jogo mais marcante na seleção.

Acho que é marcante porque dá-nos uma qualificação para o Campeonato do Mundo, tínhamos ganho só por 1- 0 em casa e o nosso adversário era muito forte.

Ganhar na Suécia não era uma coisa fácil. Foi um jogo muito difícil. Os golos foram de uma qualidade extraordinária. As execuções, a preparação dos golos foi uma coisa fabulosa.

Depois, no Brasil, o que terá acontecido?

O que é que terá acontecido? Tudo isto se resume a resultados.

Perdemos o jogo com a Alemanha pelo número exagerado que foi e isso, de certa forma, criou alguma desconfiança e alguma descrença e, naturalmente, os jogos a seguir não foram totalmente bem conseguidos e acabámos por não passar à fase seguinte.

Isso faz parte do futebol.

Houve outras seleções que também ficaram pelo caminho e acho que tínhamos possibilidade de, passando à fase seguinte, chegar longe. Já tínhamos provado que tínhamos uma boa seleção, mas muitas vezes existem fatores que não conseguimos controlar e acabam por condicionar as equipas e levá-las a não terem rendimentos elevados.

Acha que o Brasil terá sido um bom país para Portugal participar num Mundial, considerando toda a ligação afetiva existente entre os dois países? Toda aquela envolvência era positiva ou…

Era um país fantástico para fazer um Mundial. Como foi. É um país maravilhoso. É o Brasil!

Qualquer país para fazer um Mundial seria bom. Mas eu acho que este tinha um acrescento: era o número de emigrantes, a língua, o país, o clima, a paixão pelo futebol. Tudo nisso eram fatores positivos.

Mas isso não complicou o vosso trabalho?

Nada disso.

E ao nível de procurarem estar mais isolados?

Nada disso. Nada disso.

Segue-se o CS Marítimo na sua vida desportiva. Com certeza, um grande orgulho em treinar um clube da sua ilha?

Perfeitamente! Foi um grande orgulho ter representado o Marítimo. Dediquei-me de corpo e alma ao projeto Club Sport Marítimo.

A primeira coisa que fiz foi tornar-me sócio do clube. É um clube histórico, com uma dinâmica muito própria e com um grau de exigência elevado. Tem sócios no estrangeiro que estão ao nível dos grande clubes. Eu acredito que o Marítimo tem mais adeptos que o Porto ou o Sporting no estrangeiro.

Sim?

Eventualmente. Porque, entre os portugueses que estão na África do Sul, na Venezuela e no Brasil, muitos são madeirenses e há muito adepto madeirense do Marítimo.

É um clube do povo, com muitos sócios e é apetecível.

O Marítimo é clube que se for bem estruturado do ponto de vista profissional estará a lutar pelos primeiros 3 ou 4 lugares da classificação.

Para ter consistência tem de existir um trabalho, como já disse, com muita continuidade…

Os clubes desta natureza têm de estabilizar nas estruturas. Quero com isto dizer que primeiro há que criar estruturas competentes para determinadas funções. E, depois, essas estruturas têm que dar competência às suas tarefas, o que vai elevar o nível de qualidade de todas as ações que o clube desenvolver.

Portanto, o clube tem matéria humana e recursos materiais mais que suficientes para estruturar-se no sentido de lutar por objetivos mais ambiciosos. E acho que pode fazê-lo a médio prazo.

E esta subida do União à I Liga, passando a Região Autónoma da Madeira a ter três clubes, poderá ser importante para a promoção da própria ilha? Ou, do ponto de vista desportivo, poderá haver mais dificuldades, considerando que é uma terra pequena, onde patrocínios e apoios, digamos, que serão a dividir por três?

Claro que sim!

Estamos a atravessar uma crise financeira sem precedentes. E os clubes também não fogem à regra. Há orçamentos muito mais reduzidos que no passado. Já ninguém paga o que se pagava há 20 anos.

Para a Madeira, ter três equipas na I Liga acarretará custos adicionais.

Claro que para a Região é importante. Haverá promoção.

É também sinal que ela tem poder do ponto de vista desportivo, mas não sei se ter três equipas na I Liga corresponde ao desenvolvimento desportivo da Região, porque ele vai muito mais além do que isso. Tem a ver mais com o número de praticantes, com o número de modalidades desenvolvidas e com os clubes estruturados para desenvolver a formação noutras modalidades.

Portanto, isso não define aquilo que é uma política desportiva global. No entanto, o facto de ter três equipas numa I Liga de futebol permite que haja maior intercâmbio de jogadores profissionais e realidades competitivas exteriores a entrar na Região.

Do ponto de vista do que são os investimentos, os orçamentos, deixa um pouco a desejar e pode ser até, de certa forma, deselegante para a crise económica que se vive no país.

Chocam-lhe os valores financeiros associados a altos ordenados no futebol?

Para as equipas medianas são valores baixos.

Para a realidade do futebol e para a forma como ele é movimentado e para os milhões que se movimentam, são valores altos para a realidade portuguesa.

Mas é muito relativo, porque a verdade é que os jogadores são os artistas. São eles que movimentam milhares de euros à sua volta. As televisões, a publicidade e o merchandising, giram em torno dos artistas e os artistas do futebol, como em qualquer arte, devem ser valorizados.

Agora, há casos que são exageros e que poderão ser vistos como uma afronta à crise económica que se vive, que é traduzida na dificuldade que as pessoas passam.

Como surge o Panetolikos no seu caminho?

Já tinha ouvido falar deste clube em finais de janeiro. Um colega meu, que é empresário, tinha dito que havia uns indivíduos da Grécia que procuravam treinador e que andavam em Portugal a ver jogadores. Em Portugal, eles tinham três ou quatro treinadores em vista e eu fazia parte dessa lista.

Viram alguns jogos, nomeadamente o Paços de Ferreira/Marítimo e o Guimarães/Marítimo.

Gostaram do jogo e da dinâmica da equipa do Marítimo e quiseram conhecer-me. Convidaram-me a ir à Grécia para podermos falar sobre o assunto. Em finais de maio isso aconteceu. Conversámos e gostei da proposta que me fizeram. A partir daí começarmos a trabalhar nesse sentido.

Segue só ou a família vai também?

Vou só.

Acha importante sair do país?

Se tivesse tido um convite de Portugal, naturalmente que ia considerar, mas até o convite do Panetolikos, não tinha srugido nenhum convite.

E numa fase destas, depois de sair de um clube, o mais importante de tudo é voltar a trabalhar. Era não estar parado. Eu não queria estar parado. E para isso não acontecer aceitei este convite.

Claro que, com esta opção, fechei portas noutros sítios. Se eu não tivesse aceite este convite estava na perspetiva de até poder ser contratado por outros clubes.

Mas este foi o primeiro clube a convidar-me, apresentou-me uma proposta concreta e aceitei.

Cristiano Ronaldo é a figura incontornável do país, do futebol e da seleção. O Leonel teve o privilégio de trabalhar com ele. Qual o seu sentimento ao facto de estar associado a esse “mito”?

É um orgulho enorme ter estado numa parte da vida dele, como encarregado de educação e como treinador.

Tive o privilégio de privar antes, na formação do Sporting e, depois, nos trabalhos da seleção nacional. Verifiquei uma enorme evolução em muitos anos de trabalho e de sacrifício da parte dele. Tornou-se um homem, um pai e um jogador profissional de alto nível.

Sem precedente, será uma lenda nos anos que aí vêm e dificilmente haverá um jogador com as características que ele apresenta.

Mas teve também muitos outros que saíram das suas mãos no Sporting que…

Não das minhas mãos, mas das mãos de uma estrutura. Isto é um trabalho coletivo, em que toda a gente tem uma participação.

Mas o mais importante disto são os jogadores. São eles que desenvolvem a sua atividade. São eles, com o seu caráter, com a sua ambição, com a sua vontade e com o seu talento que conseguem superar muitas barreiras e chegar a alto nível.

Mas muitos outros também passaram pelo nosso trabalho e não tiveram sucesso. Muitos deles tiveram muitas dificuldades na vida e ainda as têm.

Claro que há sempre alguns que conseguem passar esta barreira da competência, do alto nível, do alto rendimento e que chegam com enorme sucesso ao profissionalismo e nós, treinadores, ficamos muito gratos por isso.

Tive a sorte e o privilégio de trabalhar com grandes jogadores como o Ronaldo, o Quaresma, o Hugo Viana, o Miguel Garcia, o João Moutinho, o Miguel Veloso, o Nani, o Rui Patrício, o Adrien, o William, o Bruno Alves, o Raúl Meireles, o João Pereira, o Rolando, o Neto, o Ricardo Costa, o Vieirinha, o Paulo Machado, o Hugo Almeida, o Hélder Postiga, o Tonel, o Abel, o Caneira, o Sá Pinto e tantos, tantos, tantos outros.

Naturalmente que foi um privilégio trabalhar com toda esta gente. Mas isso faz parte da nossa vida. Para quem anda há 20 anos no futebol é natural que existam muitos jogadores com quem tenha trabalhado. Claro que uns tiveram mais impacto que outros, mas todos foram importantes, até no meu desenvolvimento enquanto ser humano.

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